sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Projeto Escevendo Minhas Esperiencias -PEME

Equipe Técnica

Almira Araújo Lima
Francisca Leila da silva
Francisco Naldo Póvoas
Jane Mary de Oliveira
Maria Ivete Santos Silva
Nelcy de Jesus Froés Gomes
Raimunda Peixoto Oliveira
Rosineide de Jesus Cirino


1 CARACTERIZAÇÃO DO TEMA

1.1 TEMA: Escrevendo minhas experiências
1.2 DELIMITAÇÃO DO TEMA: O Projeto Escrevendo Minhas Experiências é um projeto de investigação pedagógica e autocapacitação profissional que deverá ser realizado pelos Educadores da Rede Publica de Ensino de Maracaçumé.
1.3 OBJETIVOS
1.3.1 Objetivo Geral:
· Promover autocapacitação pedagógica e profissional por meio de estudos e investigações pedagógicas da realidade local, bem como registrar didaticamente os conhecimentos adquiridos.
1.3.2 Objetivos Específicos:
· Despertar o interesse dos profissionais da educação pela busca do conhecimento pedagógico necessário à prática educativa;
· Produzir conhecimentos pedagógicos a partir da realidade local e experiências profissionais;
· Refletir sobre a prática pedagógica no âmbito escolar;
· Desenvolver a capacidade de composições textuais de cada professor;
· Valorizar/reconhecer os profissionais da educação a partir do eficiente registro de suas experiências;
· Compor Memoriais com todos os artigos produzidos e informações autobiográficas de cada educador.

2 JUSTIFICATIVA

Muitos profissionais da educação e de muitas outras áreas de trabalho, atualmente, estão se especializado em compor textos. Estão procurando de certa forma registrar suas experiências escrevendo livros, artigos para revistas, sites, blogs ou simplesmente apostilas. Mas o importante é que estão registrando e propagando suas experiências, novos conhecimentos, suas maneiras de ver a vida e as questões sociais de nosso país e do mundo.
Os advogados, por exemplo, para advogar com eficiência dedicam-se, antes de qualquer coisa, a compreender e interpretar as leis, escrever e defender teses, caso contrario não conseguirão se consolidarem enquanto profissionais.

"Patativa do Assaré e Paulo Freire escreveram sobre suas experiências pessoais com o mundo da escrita e como essas práticas, em seus cotidianos, modificaram suas formas de aprender a ler o mundo. Podemos notar que também nas formas simples de aprendizado pode-se iniciar um movimento de vida, pois um se tornou poeta e outro, educador " (Barbato, 2008 / Gestar II, TP 4, p. 20).

“Ler e escrever bem é indispensável para que se possa aprender sempre” (Of. de professor, 59). Um editorial publicado pela Folha de S. Paulo, em 1º de março de 2001, trata da importância da leitura e da escrita da seguinte forma:

"Para participar ativamente do mundo moderno, é preciso domínio da leitura. O saber e a tecnologia se reproduzem e avançam por meio de pessoas que pensam e estão aptas a comunicar suas idéias pela escrita".

Portanto, partindo desse ponto de vista, hoje, é importante que os educadores se dediquem também a escrever as suas experiências, pois isso consolida mais rapidamente qualquer pessoa como profissional. E para que essa experiência dissertativa sobre os saberes docentes e realidade escolar se torne fato, propomos aos nobres educadores o “Projeto Escrevendo Minhas Experiências – PEME”.
O objetivo principal do referido projeto é despertar o interesse dos professores pela busca do conhecimento pedagógico necessário à prática educativa e, por outro lado, buscar também o desenvolvimento da capacidade de compor textos, valorização, reconhecimento e consolidação profissional.
Vale ressaltar que a consolidação profissional não se dar da noite para o dia, é claro, mas também não leva uma vida inteira para acontecer. Depende apenas, muitas vezes, da intensidade com que nos entregamos à reflexão das nossas ações. Você pode até dizer “não tenho tanta experiência para competir com os profissionais veteranos ou desenvolver um trabalho tão complexo quanto este”. Todavia, saiba que, como diria Gandin (1997), “as experiências não vêm de se ter vivido muito, mas de se ter refletido intensamente sobre o que se fez e sobre as coisas que aconteceram”. Por outro lado, lembre-se que não estamos pedindo que você escreva apenas para conseguir a aprovação e os elogios dos outros, mas para lhes mostrar qualquer coisa que eles não vêem, ou melhor, aquilo que de tanto ver perderam a capacidade de percepção (paráfrase, Tamaro apud Bastos, 2003, p. 11).
O presente projeto é um convite da Secretaria Municipal de Educação para uma reflexão mais concreta sobre a educação deste município. É um pedido de colaboração, ou seja, queremos que você pense conosco a educação que queremos para Maracaçumé.
Sua colaboração será muito importante para nossa sociedade, pois sabemos que o crescimento e o desenvolvimento só se dão simultaneamente quando se pensa com carinho a educação da juventude. E, sendo assim, podemos fazer as seguintes perguntas: Quem pensou a nossa educação? Você concorda com a educação que temos ou quer melhoras? Por quê?
A educação que temos hoje é a que foi pensada por alguém que nos antecedeu. Por isso somos o que somos e temos o que temos. E como diria Gandhi, grande revolucionário indiano, “somos as conseqüências do que pensamos” em outras palavras podemos afirmar que “não somos nada mais, nada menos do que as conseqüências do pensamento daqueles que planejaram a educação que recebemos”. Mas afinal, está tudo bem? Temos a educação que queremos? É hora de darmos também a nossa colaboração, expor nossas idéias e cooperar para que haja mudança eficaz nos processos de ensino-aprendizagem e sistemas de ensino.
Outro objetivo conjeturado no Projeto Escrevendo Minhas Experiências é o registro/composição de um Memorial Autobiográfico dos Profissionais da Educação de Maracaçumé (MAPEMA).
O homem primitivo era muito preocupado em deixar sua marca, sua história para retentiva de seus descendentes. E, por conta dessa preocupação, inventavam criativamente desenhos, gráficos e símbolos para substituir os objetos, as frases e pensamentos. Dessa forma começaram a registrar seus legados em cerâmicas, pedaços de madeiras e paredes, sendo que dessa maneira surgiram as primeiras formas de escrita que com o tempo foi se aperfeiçoando e tomando definição lingüística, como por exemplo, as letras do alfabeto que temos até hoje.
Olhando por este ângulo, temos tido essa mesma preocupação? Se alguém perguntasse a você ou fizesse uma pesquisa entre os moradores ou na biblioteca publica do município para saber o nome da primeira professora de Maracaçumé, talvez não conseguisse encontrar nada registrado que revelasse pelo menos seu nome completo. Isso porque poucas são as pessoas que se preocupam em registrar suas experiências de vida, ações e, conseqüentemente, nada deixam sobre si mesmas para memória de seus descendentes.
Segundo Tamaro (apud Bastos, 2003, p.11) “escrever é uma forma de nos conhecermos a nós próprios e de nos darmos através do conhecimento” e é pensando sobre essa e outras questões que propomos o presente projeto (PEME). Pois além de promover a autocapacitação docente e colaborar na construção de novos conhecimentos, promove também o registro e composição de um memorial que deixará seu nome na História da Educação de Maracaçumé.
O seu sucesso no desenvolvimento dessa tarefa vai depender da sua entrega, da sua paixão. E quem sabe fazendo assim, um dia você também dirá o que disse Carlos Drummond de Andrade (1990, p.21): “E eu não sabia que a minha história era mais bonita que a de Robinson Crusoé”.

3 REFERENCIAL TEÓRICO

Para *Buffon “os nossos conhecimentos são os germes (o principio, a causa ou a origem) das nossas produções”. Já *Boileau diz que “o que se concebe (idealiza) corretamente, enuncia-se com clareza”. Com base nessas idéias podemos fazer o seguinte questionamento: se temos conhecimento podemos produzir e se somos capazes de idealizar e produzir, certamente, seremos mestres autônomos e trataremos como mais propriedade e segurança sobre assuntos da nossa profissão. Com base nessas idéias implícitas dos referidos autores desconhecidos, propomos, aqui, a você o desafio de idealizar e produzir sua prática pedagógica a partir de estudos e investigações próprias, isto é, propomos inovação à formação continuada do professor.
A formação continuada do professor deve ser concebida como reflexão, pesquisa, ação, descoberta, organização, fundamentação, revisão e construção teórica e não como mera aprendizagem de novas técnicas, atualização em novas receitas pedagógicas ou aprendizagem das últimas inovações tecnológicas (Gadotti, 2003, p.31).

A metodologia de formação continuada, proposta pelo presente projeto, é de grande relevância, pois propicia múltiplos resultados beneficentes para o professor, a entidade e finalmente a toda sociedade.
O projeto (PEME) leva o professor a adquirir autonomia profissional. Além do mais é uma bela estratégia de gestão e, ao mesmo tempo, é uma filosofia de trabalho inovadora que merece crédito e empenho por parte dos professores (Imbernon apud Gadotti, 2003, p.32).

Do ponto de vista de Gadotti (ibidem) o professor deve:
1. Examinar também as teorias implícitas, estilos cognitivos e preconceitos (hierarquia, sexismo, machismo, individualismo, intolerância, exclusão...).
2. Realçar a importância da troca de experiências entre pares, através de relatos de experiências, oficinas e grupos de trabalho;
3. Ser, necessariamente, um mau “implantador” de idéias dos outros. E é ótimo que assim seja, porque ele deve ser autônomo, ele precisa assumir, construir e conquistar sua autonomia profissional.

Para Gadotti a assessoria pedagógica deve:
1. Ajudar a escola a inovar. Não fazer o trabalho. A escola é que deve ser protagonista e não os assessores;
2. Intervir a partir das demandas dos professores ou das instituições educacionais com objetivo de auxiliar no processo de resolver os problemas ou situações problemáticas profissionais que lhes são próprios. Por isso, “a comunicação, o conhecimento da prática, a capacidade de negociação, o conhecimento de técnicas de diagnóstico, de análise de necessidades, o favorecimento da tomada de decisões e o conhecimento da informação, são temas-chave na assessoria.
De acordo com a Legislação Brasileira (LDB), a formação continuada do professor em serviço é um direito. Porém Gadotti acredita que para esse direito ser exercido na prática, de fato, são necessárias algumas pré-condições ou exigências mínimas; entre elas:
1. Estudo com os colegas, não só com especialistas de fora, para refletirem sobre a sua própria prática, dividirem dúvidas e resultados obtidos;
2. Possibilidade de freqüentar cursos seqüenciais aprofundados em estudos regulares, sobretudo sobre o ensino das disciplinas ou campos do conhecimento de cada professor;
3. Acesso à bibliografia atualizada;
4. Possibilidade de sistematizar sua experiência e escrever sobre ela;
5. Possibilidade de participar e expor sua experiência em congressos educacionais;
6. Possibilidade de publicar a experiência sistematizada;
7. Enfim, não só sistematizar e publicar suas reflexões, mas também colocar em rede essas reflexões, o que cada professor, cada professora, cada escola está fazendo, por exemplo, através de um site da secretaria de educação ou da própria escola.

“A professora, o professor, podem ter um papel mais decisivo na construção de um novo paradigma civilizatório se entenderem de outra forma o seu papel na sociedade do conhecimento e educarem para a humanidade. Eles e elas podem ter um poder como nunca tiveram na sociedade. E como o poder nunca é doado, mas é conquistado, as entidades de professores têm uma enorme responsabilidade nesse processo de nova formação inicial e continuada dos profissionais da educação” Gadotti, ibdem).

4 DESCRIÇÃO DOS REGUALEMENTOS METODOLÓGICOS

1. O Projeto Escrevendo Minhas Experiências – PEME é um projeto de investigação pedagógica e autocapacitação profissional que terá duração de quatro anos.
2. Todos os professores e diretores de escolas podem participar, desde que preencha a ficha de adesão junto da Secretaria Municipal de Educação no período de 09 a 30 de março.
3. A Secretaria Municipal de Educação oferecerá orientação e acompanhamento no processo de normalização do trabalho, inclusive curso de capacitação em metodologia cientifica a todos participantes inscritos no projeto.
4. A Secretaria Municipal de Educação investirá em acervo de livros que possam auxiliar como referenciais teóricos dos projetos a serem desenvolvidos.
5. Após a capacitação, o participante deve elaborar um Projeto de Autocapacitação Profissional – PROAP, contendo os conteúdos, objetivos e justificativas e encaminhar uma cópia à coordenação do projeto para o devido acompanhamento (veja modelo).
6. Com base no PROAP, o participante deverá elaborar também um Projeto de Estudo e Investigação Pedagógica – PEIP com justificativa, delimitação do tema, objetivos, referencial teórico, metodologia de pesquisa e análise de dados e encaminhar uma cópia à coordenação do projeto para o devido acompanhamento.
7. A culminância do PEIP será uma dissertação ou artigo que deve seguir todas as normas da ABNT e ter entre 09 e 12 páginas, incluindo a capa.
8. A Secretaria de Educação indicará uma equipe que fará a correção dos textos, seguindo todas as normas da ABNT e divulgará em sites, blogs e jornais todos os artigos produzidos pelos participantes.
9. Todos os artigos produzidos, após serem avaliados pela Equipe de Correção e pela Coordenação Pedagógica da Secretaria Educação, farão parte de um Memorial e os cinco melhores farão parte de um Memorial Especial, serão premiados e os autores farão palestras sobre o assunto que discorreram em seus artigos.
10. Para cada PEIP elaborado, executado e artigo produzido, o participante receberá um certificado como “Autor e Executor de Projeto de Investigação Pedagógica e Autocapacitação Profissional”, com carga horária entre 40 e 100 horas.
11. Ao final do PEME, todos os participantes deverão escrever sua própria biografia para composição de um “Memorial Autobiográfico dos Profissionais da Educação de Maracaçumé – MAPEMA para servir de retentiva aos futuros educadores.
12. Os principais critérios para escolha dos cinco melhores artigos serão os seguintes:
· Assunto inédito;
· A comprovação de realização da investigação e originalidade textual;
· Está de acordo com as normas da ABNT;
· Não conter erros, bem como ortografia, concordância, pontuação, coesão e coerência;

4 CRONOGRAMA

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