sábado, 28 de fevereiro de 2009

Diagnótico Psicopedagógico das Tensões e Atenção dos Alunos

Francisco Naldo Póvoas
Faculdade Atenas Maranhense - FAMA
Curso: Pós-Graduação em Didatica Universitária
20 / 06 / 2008
RESUMO

O presente artigo tem como objetivo fazer um diagnóstico psicopedagógico das principais causas da falta de atenção de crianças e adolescentes das escolas da rede publica de ensino. Este assunto tem deixado muitos professores preocupados e sem saber, muitas vezes, o que fazer para sanar este problema que se impregna e assola os ambientes escolares. As tensões têm se apresentado de formas distintas e levado muitos alunos a comportamentos incompreensíveis por parte dos agentes da Educação. A comunicação e os vínculos familiares têm se desgastados e repercutido negativamente na aprendizagem escolar e levado à falta de atenção. Muitos professores não têm se preocupado em embelezar suas aulas, de forma que os alunos não vêm sentido no que é ensinado, levando, assim, muitos alunos a não darem atenção às aulas.

Palavras-chaves: Tensão, atenção, concentração, comunicação, relações vinculares.

EL RESUMEN

El presente artículo tiene como objetivo hacer un diagnostico psicopedagógico de las primordiales causas de la falta de atención de las crianzas y adolescentes de las escuelas publica de enseño. Este asunto tiene dejado muchos profesores preocupados y sin saber, muchas veces, lo que hacer para solventar el problema que impregnase y desuela los ambientes escolares. Las tensiones tienen se expuesto de formas distintas y llevado muchos alumnos a comportamientos incomprensibles por parte de los agentes de la Educación. La comunicación y los vínculos familiares tienen se desgastados y repercutido negativamente en la aprendizaje escolar y llevado a la falta de atención. Muchos profesores no tienen se preocupado en embelesar suyas clases, de forma que los alumnos no miran sentido en lo que es enseñado, llevando, así, muchos alumnos a no dar atención a las clases.

Palabras-llaves: Tensión, atención, concentración, comunicación, relaciones vinculares

O presente artigo é o resultado de observações realizadas sobre a falta de atenção e tensões dos alunos da Rede Pública Municipal de Ensino do município de Maracaçumé.

A falta de atenção de muitos alunos é preocupação constante entre os educadores do referido município. A falta de atenção e as tensões em que vivem muitos alunos nos ambientes escolares, têm deixado muitos professores preocupados e desencantados profissionalmente.

Se a falta de atenção é um problema nos ambientes escolares, faz-se, então, necessário um diagnóstico psicopedagógico para reconhecimento das causas e busca de uma proposta que possa sanar esse terrível vilão que vem assustando muitos educadores.

Desde épocas muito remotas até pouco tempo atrás a escola quase não falava em falta de atenção dos alunos. Não que as crianças fossem menos crianças e mais adultas que as de hoje ou porque os professores fossem mais preparados, mas porque eram obrigadas. Segundo Barbosa (2006, p. 27), a aprendizagem era imposta com castigos severos como: gritos, palmatórias e outros tipos de punição.

Ao contrário da Escola Tradicional que punia para haver aprendizagem, a Escola Nova entende que deve preparar os professores para que haja aprendizagem de forma mais humana e consistente. No entanto é possível observar que a falta de atenção dos alunos elevou-se. Isso pode significar: a sociedade desenvolveu-se no entendimento dos seus direitos e conceitos enquanto que a escola não está sabendo como lidar com os novos valores da sociedade ou está existindo um grande abismo entre a teoria e a prática docente. Segundo Silva (2004, p. 172), em seu artigo apresentado durante o V Congresso Internacional de Educação,


"Salas de aula intranqüilas, agitadas, em devaneios, em desequilíbrio... está mais do que provado que estas situações dependem basicamente da atuação do educador. Turmas nestas classificações, são realidades em todo país. Sente-se uma grande necessidade de reflexão, por parte do regente de sala, sobre a forma ideal para atingir-se uma aula de maior qualidade, pois diante dos estudantes que querem realmente crescer e das famílias que exigem muito dos filhos e da escola, o caminho a ser percorrido pelo professor é ousado, dinâmico e exigente. A situação atual sobre o relacionamento professor-aluno, aponta aos docentes que há urgência em atualizarem seus métodos psicopedagógicos".


Este ponto de vista deve ser respeitado, todavia há uma pergunta que pode ser feita: Quais as reais fontes dessa falta de atenção e de toda essa problemática de relacionamento? Será que a solução depende somente da atuação do educador?

Na certeza de que o ponto de vista aqui exposto vai contribuir com os professores preocupados com essa questão, que parece sem jeito para muitos, torna-se importante a relevância deste diagnóstico, com a convicção de que é necessário que o professor conheça o nível de atenção dos alunos nos ambiente escolares e ainda que esse diagnóstico depende de severas observações do nível de tensão dos alunos, encantamento das aulas, uma boa comunicação, relações vinculares fortes com o professor e a família.

Para medir a tensão de um vapor; o grau de esticamento de um arame; a força encolhedora de uma mola que se acha esticada ou verificar a pressão arterial de uma pessoa, usa-se o “tensiômêtro”. Porém para diagnosticar o nível de tensão, atenção e concentração, relações vinculares e comunicativas de um aluno, usa-se o estudo psicopedagógico do meio, do comportamento do aluno, dos métodos e processos de ensino-aprendizagem.

A priori, é importante observar que se acrescentarmos o prefixo “a” que significa “ausência de” ao termo “tensão” temos o neologismo “atensão” que quer dizer “ausência de nervosismo, angústia e outros problemas psicológicos”. Segundo o Dicionário de Larousse Cultual da Língua Portuguesa, tensão é “excitação, enervamento”. Para mim, é “um sentimento desconcertante que deixa alguém sem saber o que fazer, desorientado, embaraçado. É uma grande preocupação que ataca os nervos e priva dos sentidos, tirando a capacidade de concentração da pessoa”. Dessa forma percebe-se claramente que a atenção exige ausência de tensão, ou seja, de situações que pode desencadear uma ruptura, um conflito. E é sob esse conceito que estudaremos a importância do Diagnóstico Psicopedagógico do nível de Tensão e Atenção do aluno.

Como foi visto no parágrafo anterior, tensão e atenção são dois termos de sentidos antagônicos, mas que apresentam idéias que se cruzam, interferindo, assim, positiva ou negativamente uma à outra.

Uma pessoa, por exemplo, angustiada, nervosa, excitada por algum tipo de revoltada, triste ou com a auto-estima baixa, dificilmente terá a mesma disposição e concentração que uma pessoa emocionalmente lúcida e equilibrada. Por isso é importante que o professor seja um eterno observador das tensões que os alunos podem está sofrendo. E precisa entender ainda que nem sempre o aluno demonstra isso tão claramente.

A tensão desestabiliza e priva o aluno da percepção pelos sentidos que são as portas através das quais a mensagem chega à alma. E uma vez privado da percepção pelos sentidos, conseqüentemente está privado também da assimilação pelas faculdades da alma: o intelecto que pensa, o sentimento que sente e a vontade que age; do juízo que é uma comparação de idéias ou conceitos; do raciocínio que é uma comparação de juízos ou conclusão sobre determinado assunto. E dessa forma, a tensão psicológica leva muitos alunos a não aprenderem o que é ensinado com facilidade (Zibordi, 2004).

A tensão se apresenta de forma distinta, dependendo do temperamento de cada aluno. Segundo Veiga et al (2000, p. 60) as pessoas que se sentem rejeitadas por outros, sentem e manifestam ansiedades. A ansiedade, por sua vez, é um tipo de tensão frenética. Muitos alunos vivem essa tensão frenética, ou melhor, algumas crianças ao se depararem com determinados problemas, em vez de ficarem tristes, cabisbaixo ou acuadas no canto da sala, ficam agitadas, não conseguindo parar, prestar atenção, concentrar-se e agir com ponderação. Além de agitadas, esse tipo de tensão deixa muitas crianças impacientes e quase sempre respondem com aspereza ao professor, quando reclama sobre as suas inquietações. Nas crianças esse tipo de tensão pode ser causado também pelo estresse, pelas várias horas que passa na frente da televisão, consternações, vontades reprimidas e outros fatores semelhantes.

Para que haja aprendizagem é necessário que a criança esteja vinculada ao conhecimento. Para que a criança esteja vinculada ao conhecimento é necessário que haja concentração. Para que haja concentração é necessário que haja atenção. E para que haja atenção é necessário que haja “atensão” e disciplina. E para que haja disciplina é preciso que o professor a imponha por meio de métodos didaticamente criativos.
A atenção depende da boa vontade do aluno, do afeto pelo assunto abordado, da intenção ou objetivos pessoais, pretensão ou aspiração profissional, projeto de vida (propósito, desígnio); depende da curiosidade, da emoção e de uma aprendizagem totalmente significativa. Todavia para que isso ocorra é necessário que o aluno seja estimulado pelo professor e pela família. É necessário que haja o encantamento e o prazer da busca pela beleza da aquisição de novos conhecimentos.

A atenção é o ato do aluno se colocar à disposição do professor. Quando o aluno dá atenção ao professor, conseqüentemente passa também por um processo de concentração. A concentração é o vínculo que o aluno cria com o conhecimento, com a finalidade de sugá-lo e adquiri-lo para si.

Muitos alunos não dão a devida atenção para seus professores porque estão tensos, nervosos, agitados e angustiados por conta de um ou outro problema que afeta sua quietude, como por exemplo, uma briga e separação dos pais; a não aceitação da situação financeira da família; a superproteção dos pais, seguida de indisciplina, a rejeição ou o sentimento de não ser bem-vindo na sua família; o despreparo do professor; a superlotação da turma; a falta de sentido no que está sendo ensinado e outros. Estes fatores levam muitos alunos a vêem a escola como um “ambiente passatempo” – onde podem brincar de aprender – ou como um “antro de aflição” – aonde vão porque são obrigados pelos pais, pelos professores e pela sociedade, mas que na verdade não sentem necessidade nem desejo de aprender, porque não vêem sentido ou porque o que é ensinado não faz sentido às suas necessidades, vindo daí o desinteresse, a falta de atenção e conseqüentemente o que chamamos de fracasso escolar. Por outro lado muitos alunos não aprendem simplesmente porque não há disciplina na sala de aula. Outros, simplesmente porque não conseguem se concentrar em um ambiente tumultuado. E outros porque o professor não atenta para as suas tensões.

Portanto é importante que o professor conheça o nível de concentração de cada aluno. O que chama atenção dos mesmos. Os problemas que os desconcentra com facilidade. E finalmente buscar métodos de ensino que possam atender e desenvolver o nível de concentração, atenção e vinculação ao conhecimento e processo-ensino-aprendizagem de cada discente.

A atenção depende de uma boa disciplina e a disciplina de uma boa comunicação entre professor, pai e aluno. Segundo Chamat (1997, p. 19) a comunicação familiar truncada, onde os medos e ansiedades dos pais não são revelados explicitamente, caracteriza relações vinculares doentias. Esse vínculo doentio pode se acentuar com maior eficácia na sala de aula se o professor não tiver o cuidado de diagnosticá-lo e combatê-lo com métodos de ensino apropriados.

Para Chamat (ibidem), a comunicação truncada é permeada de segredos que as crianças não podem tomar conhecimento, porém, conforme observação, em muitas famílias não há comunicação, mesmo truncada. Os filhos passam o dia na casa do vizinho ou na rua com outras crianças. Enquanto isso, muitas mães estão trabalhando, diante de uma televisão ou tratando de outros interesses da família. Dessa forma, esquecem que seus filhos são mais importantes e deixam a comunicação e o ensino de lado. Assim, muitos alunos não sabem parar para ouvir um conselho, uma explicação sobre determinado assunto, porque não aprendem isso nos seus lares. E isso não é conseqüência apenas de uma comunicação truncada, mas sim de uma convivência truncada. E esse arquétipo de vida, interação e comunicação aprendidos pelos alunos nos seus lares são reproduzidos em outras relações e ambientes, principalmente na escola, impedindo, assim, o aluno de dá atenção ao professor ou à aula, concentrar-se e, conseqüentemente, vincular-se ao mundo das idéias.

Segundo Chamat (ibidem) uma comunicação truncada repercute negativamente na aprendizagem da criança, compromete sua capacidade de análise, inibe suas vontades, suas atitudes e finalmente a criança não aprende porque “o pensar envolve também entrar em contato com as emoções” e é justamente o que ela procura evitar, recalcando as emoções e, conseqüentemente, recalcando o pensar.

O fracasso escolar de muitos alunos, sem dúvida, está ligado à falta de concentração que por sua vez pode está relacionada ao simples processo de vinculação do mesmo com o professor, a escola, a família ou ao nível de encantamento das aulas. A atenção leva à concentração; a concentração, ao vinculo com o professor e com o conhecimento. Para Klein (apud Chamat, 1997), o nível e tipo de vinculação que a criança estabelece com as pessoas que a cercam vão determinar o nível e o tipo de vinculação estabelecida com o conhecimento, repercutido, assim, na sua aprendizagem escolar.

Segundo a revista Nova Escola (2003, p. 17) é por meio dos vínculos que a aprendizagem acontece. As relações vinculares interferem no desempenho dos alunos, embora muitos professores não dêem a devida importância aos fatores afetivos.

O encantamento de uma aula bem planejada produz aspiração. A aspiração exige atenção. A atenção por sua vez leva à curiosidade. “A curiosidade é a alma da aprendizagem”, afirma Steiner e Piaget. Segundo Gadotti (2003, p.49) “só aprendemos quando colocamos emoção no que aprendemos. Por isso é necessário ensinar com alegria”. Toda e qualquer aprendizagem exige não apenas esforço intelectual, mas também um estado de espírito prazeroso que desiniba a inteligência e a capacidade de aprender. Sabemos, com efeito, que as perturbações emocionais como a ansiedade, o medo ou a insegurança inibem o intelecto condicionando todas as funções cognitivas que são chamadas a intervir na elaboração do raciocínio (lógico, analítico, criativo, etc.) e nas atividades da memória (registro, evocação, etc.). Estimular a auto-estima e a autoconfiança nas crianças em idade escolar deve ser uma das principais preocupações dos pais e dos professores para que o esforço de aprender seja facilitado e estimulado por estados emocionais positivos (Póvoas et al, 2006 – Projeto de Pesquisa).

Quando um aluno pára e diz ao professor(a) “explique a aula que vou prestar atenção” ele estar se colocando a disposição do professor. O professor, por sua vez, não pode perder a oportunidade de usar as palavras certas, no tom certo e com o encantamento certo, para fazer o aluno entrar num processo de concentração-desconcentradora, isto é, que seja capaz de tirar a atenção do aluno de uma brincadeira, por exemplo, e conduzi-lo criativa e habilidosamente no processo de ensino-aprendizagem.

Para que uma aula seja, de fato, encantadora e capaz de prender a atenção do aluno é necessário que o professor seja também encantador. Para GADOTTI (2005, p. 55) neste mundo de desencanto e agressividade constantes, o professor deve ser um profissional do encantamento, aquele que domina a arte de reencantar, de despertar nas pessoas a capacidade de engajar-se e mudar. O bom professor de quem trata Paulo Freire (1997, p. 96) é um exemplo de professor encantador:

"O bom professor é o que consegue, enquanto fala, trazer o aluno até a intimidade do movimento de seu pensamento. Sua aula é assim um desafio e não uma ‘cantiga de ninar’. Seus alunos cansam, não dormem. Cansam porque acompanham as idas e vindas de seu pensamento, surpreendem suas pausas, suas dúvidas, suas incertezas".


Uma aula encantadora envolve vários ingredientes e exige que o professor saiba buscá-los. Saiba buscar informações, fazer demonstrações, perguntas e elogios; lidar com a diversidade, criar vínculos e estimular a pensar; saiba comunicar, explicar e identificar necessidades. Tudo isso são princípios de um bom trabalho docente e do encanto de uma aula.

Portanto, diagnosticar o grau de tensão, atenção e concentração dos alunos ajuda o professor encontrar métodos de ensino certos, apropriados e eficazes para o pleno desenvolvimento do aluno.

Para detectar as tensões e sanar a falta de atenção na sala de aula, o professor deve investir na aquisição dos sabres docentes e, sobretudo, na aproximação da teoria à prática. Deve investir em: comunicação, inteligência intrapessoal, relações vinculares sadia com os alunos e outros saberes psicológicos, sociais, pedagógicos e didáticos. Deve investir em métodos de ensino atraentes, inspiradores e condutores. Métodos que atraia a atenção dos alunos para o que é ensinado; encante e desperte as suas vontades e desejos; leve à busca constante e própria do vínculo com o conhecimento e processos de ensino e, conseqüentemente, da aprendizagem.

A metodologia de ensino que não traz em sua essência essas três qualidades, não consegue resolver o problema da falta de atenção dos alunos. Além do mais, não pode ser digna de aceitação no meio docente. Conclui-se ainda que toda metodologia mal comunicada ou mal aplicada contribui muito para a falta de atenção do aluno. Portanto, urge a necessidade de repensar as metodologias psicopedagógicas de ensino.

A qualidade da aula mal planejada e quase sem sentido para uma vida atualizada e dinâmica, como se ver, deixa os alunos desatentos, desconcentrados e obsta as possibilidades do mesmo aprender com facilidade.

Por outro lado, as relações vinculares e comunicativas do aluno com o meio escolar e social, com o professor e com a família, de modo geral, não tem sido das melhores, por conta de uma serie de negligências dos educadores (pais e professores) que têm lavado muitos alunos a uma tensão frenética (convulsa, rumorosa, agitada, ansiosa, nervosa); outros a uma tensão colidente (atemorizada, preocupante, emocionalmente debelada, abstrusa). Por conseguinte, tanto uma como a outra desestabiliza e tira a atenção dos alunos.

As tensões interferem de forma preocupante na aprendizagem dos alunos. Os medos, as ansiedades, as incertezas, as violações sofridas no lar, as reprimendas, as vontades reprimidas, as separações dos pais, a falta de atenção ou a superproteção dos pais, o atendimento irrefletido de todas as vontades da criança, a ausência da educação do lar e outros fatores semelhantes têm levado muitas crianças à construção de um autoconceito conflitante e psicologicamente desvirtuado que, por sua vez, culmina na falta de atenção, concentração e vinculação com o conhecimento e aquisição do mesmo (aprendizagem).

Isso nos faz concluir que a falta de atenção nas salas de aula é um problema causado por essa série de tensões já citadas e relações vinculares truncadas e que a solução da questão não depende somente do professor, mas também da família.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BARBOSA, Laura Monte Serrat. Psicopedagogia: Um diálogo entre a Psicopedagogia e a Educação. Curitiba: Bolsa Nacional do Livro, 2006.

CHAMAT, Leila Sara José. Relações vinculares e aprendizagem: um enfoque psicopedagógico. São Paulo: vetor, 1997.

ENSINAR BEM é criar vínculos. Revista do Professor Nova Escola. São Paulo, v. 18, nº 167, p. 17, nov. 2003.

FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa, São Paulo, Paz e Terra, 1997.

GADOTTI, Moacir. Boniteza de um sonho: ensinar-e-aprender com sentido /
Novo Hamburgo: Feevale, 2003.

PÓVOAS, Francisco Naldo et al. O fracasso escolar nas series iniciais do ensino fundamental. Maracaçumé, 2006, 16 p. (Trabalho de Conclusão de Curso: Projeto de pesquisa apresentado à Faculdade Atenas Maranhense – FAMA, para obtenção do titulo de Pós-Graduado em Didática Universitária).

SILVA, Maria Íris Barros e. O educador e os desafios para uma aula de qualidade. Trabalho apresentado no Congresso Internacional de Educação, V, 9-12 ago. São Luis-MA, 422p. (Anais).

VEIGA, Ilma Passos Alencastro; CASTANHO, Maria Eugênia L. M et al. Pedagogia Universitária: a aula em foco. Campinas, SP: Papírus, 2000.

ZIBORDI, Ciro Sanches. Leis do ensino. Revista Ensinador Cristão. Rio de Janeiro, v.. 6, nº 21, p. 48-50, out./nov./dez. 2004.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Projeto Escevendo Minhas Esperiencias -PEME

Equipe Técnica

Almira Araújo Lima
Francisca Leila da silva
Francisco Naldo Póvoas
Jane Mary de Oliveira
Maria Ivete Santos Silva
Nelcy de Jesus Froés Gomes
Raimunda Peixoto Oliveira
Rosineide de Jesus Cirino


1 CARACTERIZAÇÃO DO TEMA

1.1 TEMA: Escrevendo minhas experiências
1.2 DELIMITAÇÃO DO TEMA: O Projeto Escrevendo Minhas Experiências é um projeto de investigação pedagógica e autocapacitação profissional que deverá ser realizado pelos Educadores da Rede Publica de Ensino de Maracaçumé.
1.3 OBJETIVOS
1.3.1 Objetivo Geral:
· Promover autocapacitação pedagógica e profissional por meio de estudos e investigações pedagógicas da realidade local, bem como registrar didaticamente os conhecimentos adquiridos.
1.3.2 Objetivos Específicos:
· Despertar o interesse dos profissionais da educação pela busca do conhecimento pedagógico necessário à prática educativa;
· Produzir conhecimentos pedagógicos a partir da realidade local e experiências profissionais;
· Refletir sobre a prática pedagógica no âmbito escolar;
· Desenvolver a capacidade de composições textuais de cada professor;
· Valorizar/reconhecer os profissionais da educação a partir do eficiente registro de suas experiências;
· Compor Memoriais com todos os artigos produzidos e informações autobiográficas de cada educador.

2 JUSTIFICATIVA

Muitos profissionais da educação e de muitas outras áreas de trabalho, atualmente, estão se especializado em compor textos. Estão procurando de certa forma registrar suas experiências escrevendo livros, artigos para revistas, sites, blogs ou simplesmente apostilas. Mas o importante é que estão registrando e propagando suas experiências, novos conhecimentos, suas maneiras de ver a vida e as questões sociais de nosso país e do mundo.
Os advogados, por exemplo, para advogar com eficiência dedicam-se, antes de qualquer coisa, a compreender e interpretar as leis, escrever e defender teses, caso contrario não conseguirão se consolidarem enquanto profissionais.

"Patativa do Assaré e Paulo Freire escreveram sobre suas experiências pessoais com o mundo da escrita e como essas práticas, em seus cotidianos, modificaram suas formas de aprender a ler o mundo. Podemos notar que também nas formas simples de aprendizado pode-se iniciar um movimento de vida, pois um se tornou poeta e outro, educador " (Barbato, 2008 / Gestar II, TP 4, p. 20).

“Ler e escrever bem é indispensável para que se possa aprender sempre” (Of. de professor, 59). Um editorial publicado pela Folha de S. Paulo, em 1º de março de 2001, trata da importância da leitura e da escrita da seguinte forma:

"Para participar ativamente do mundo moderno, é preciso domínio da leitura. O saber e a tecnologia se reproduzem e avançam por meio de pessoas que pensam e estão aptas a comunicar suas idéias pela escrita".

Portanto, partindo desse ponto de vista, hoje, é importante que os educadores se dediquem também a escrever as suas experiências, pois isso consolida mais rapidamente qualquer pessoa como profissional. E para que essa experiência dissertativa sobre os saberes docentes e realidade escolar se torne fato, propomos aos nobres educadores o “Projeto Escrevendo Minhas Experiências – PEME”.
O objetivo principal do referido projeto é despertar o interesse dos professores pela busca do conhecimento pedagógico necessário à prática educativa e, por outro lado, buscar também o desenvolvimento da capacidade de compor textos, valorização, reconhecimento e consolidação profissional.
Vale ressaltar que a consolidação profissional não se dar da noite para o dia, é claro, mas também não leva uma vida inteira para acontecer. Depende apenas, muitas vezes, da intensidade com que nos entregamos à reflexão das nossas ações. Você pode até dizer “não tenho tanta experiência para competir com os profissionais veteranos ou desenvolver um trabalho tão complexo quanto este”. Todavia, saiba que, como diria Gandin (1997), “as experiências não vêm de se ter vivido muito, mas de se ter refletido intensamente sobre o que se fez e sobre as coisas que aconteceram”. Por outro lado, lembre-se que não estamos pedindo que você escreva apenas para conseguir a aprovação e os elogios dos outros, mas para lhes mostrar qualquer coisa que eles não vêem, ou melhor, aquilo que de tanto ver perderam a capacidade de percepção (paráfrase, Tamaro apud Bastos, 2003, p. 11).
O presente projeto é um convite da Secretaria Municipal de Educação para uma reflexão mais concreta sobre a educação deste município. É um pedido de colaboração, ou seja, queremos que você pense conosco a educação que queremos para Maracaçumé.
Sua colaboração será muito importante para nossa sociedade, pois sabemos que o crescimento e o desenvolvimento só se dão simultaneamente quando se pensa com carinho a educação da juventude. E, sendo assim, podemos fazer as seguintes perguntas: Quem pensou a nossa educação? Você concorda com a educação que temos ou quer melhoras? Por quê?
A educação que temos hoje é a que foi pensada por alguém que nos antecedeu. Por isso somos o que somos e temos o que temos. E como diria Gandhi, grande revolucionário indiano, “somos as conseqüências do que pensamos” em outras palavras podemos afirmar que “não somos nada mais, nada menos do que as conseqüências do pensamento daqueles que planejaram a educação que recebemos”. Mas afinal, está tudo bem? Temos a educação que queremos? É hora de darmos também a nossa colaboração, expor nossas idéias e cooperar para que haja mudança eficaz nos processos de ensino-aprendizagem e sistemas de ensino.
Outro objetivo conjeturado no Projeto Escrevendo Minhas Experiências é o registro/composição de um Memorial Autobiográfico dos Profissionais da Educação de Maracaçumé (MAPEMA).
O homem primitivo era muito preocupado em deixar sua marca, sua história para retentiva de seus descendentes. E, por conta dessa preocupação, inventavam criativamente desenhos, gráficos e símbolos para substituir os objetos, as frases e pensamentos. Dessa forma começaram a registrar seus legados em cerâmicas, pedaços de madeiras e paredes, sendo que dessa maneira surgiram as primeiras formas de escrita que com o tempo foi se aperfeiçoando e tomando definição lingüística, como por exemplo, as letras do alfabeto que temos até hoje.
Olhando por este ângulo, temos tido essa mesma preocupação? Se alguém perguntasse a você ou fizesse uma pesquisa entre os moradores ou na biblioteca publica do município para saber o nome da primeira professora de Maracaçumé, talvez não conseguisse encontrar nada registrado que revelasse pelo menos seu nome completo. Isso porque poucas são as pessoas que se preocupam em registrar suas experiências de vida, ações e, conseqüentemente, nada deixam sobre si mesmas para memória de seus descendentes.
Segundo Tamaro (apud Bastos, 2003, p.11) “escrever é uma forma de nos conhecermos a nós próprios e de nos darmos através do conhecimento” e é pensando sobre essa e outras questões que propomos o presente projeto (PEME). Pois além de promover a autocapacitação docente e colaborar na construção de novos conhecimentos, promove também o registro e composição de um memorial que deixará seu nome na História da Educação de Maracaçumé.
O seu sucesso no desenvolvimento dessa tarefa vai depender da sua entrega, da sua paixão. E quem sabe fazendo assim, um dia você também dirá o que disse Carlos Drummond de Andrade (1990, p.21): “E eu não sabia que a minha história era mais bonita que a de Robinson Crusoé”.

3 REFERENCIAL TEÓRICO

Para *Buffon “os nossos conhecimentos são os germes (o principio, a causa ou a origem) das nossas produções”. Já *Boileau diz que “o que se concebe (idealiza) corretamente, enuncia-se com clareza”. Com base nessas idéias podemos fazer o seguinte questionamento: se temos conhecimento podemos produzir e se somos capazes de idealizar e produzir, certamente, seremos mestres autônomos e trataremos como mais propriedade e segurança sobre assuntos da nossa profissão. Com base nessas idéias implícitas dos referidos autores desconhecidos, propomos, aqui, a você o desafio de idealizar e produzir sua prática pedagógica a partir de estudos e investigações próprias, isto é, propomos inovação à formação continuada do professor.
A formação continuada do professor deve ser concebida como reflexão, pesquisa, ação, descoberta, organização, fundamentação, revisão e construção teórica e não como mera aprendizagem de novas técnicas, atualização em novas receitas pedagógicas ou aprendizagem das últimas inovações tecnológicas (Gadotti, 2003, p.31).

A metodologia de formação continuada, proposta pelo presente projeto, é de grande relevância, pois propicia múltiplos resultados beneficentes para o professor, a entidade e finalmente a toda sociedade.
O projeto (PEME) leva o professor a adquirir autonomia profissional. Além do mais é uma bela estratégia de gestão e, ao mesmo tempo, é uma filosofia de trabalho inovadora que merece crédito e empenho por parte dos professores (Imbernon apud Gadotti, 2003, p.32).

Do ponto de vista de Gadotti (ibidem) o professor deve:
1. Examinar também as teorias implícitas, estilos cognitivos e preconceitos (hierarquia, sexismo, machismo, individualismo, intolerância, exclusão...).
2. Realçar a importância da troca de experiências entre pares, através de relatos de experiências, oficinas e grupos de trabalho;
3. Ser, necessariamente, um mau “implantador” de idéias dos outros. E é ótimo que assim seja, porque ele deve ser autônomo, ele precisa assumir, construir e conquistar sua autonomia profissional.

Para Gadotti a assessoria pedagógica deve:
1. Ajudar a escola a inovar. Não fazer o trabalho. A escola é que deve ser protagonista e não os assessores;
2. Intervir a partir das demandas dos professores ou das instituições educacionais com objetivo de auxiliar no processo de resolver os problemas ou situações problemáticas profissionais que lhes são próprios. Por isso, “a comunicação, o conhecimento da prática, a capacidade de negociação, o conhecimento de técnicas de diagnóstico, de análise de necessidades, o favorecimento da tomada de decisões e o conhecimento da informação, são temas-chave na assessoria.
De acordo com a Legislação Brasileira (LDB), a formação continuada do professor em serviço é um direito. Porém Gadotti acredita que para esse direito ser exercido na prática, de fato, são necessárias algumas pré-condições ou exigências mínimas; entre elas:
1. Estudo com os colegas, não só com especialistas de fora, para refletirem sobre a sua própria prática, dividirem dúvidas e resultados obtidos;
2. Possibilidade de freqüentar cursos seqüenciais aprofundados em estudos regulares, sobretudo sobre o ensino das disciplinas ou campos do conhecimento de cada professor;
3. Acesso à bibliografia atualizada;
4. Possibilidade de sistematizar sua experiência e escrever sobre ela;
5. Possibilidade de participar e expor sua experiência em congressos educacionais;
6. Possibilidade de publicar a experiência sistematizada;
7. Enfim, não só sistematizar e publicar suas reflexões, mas também colocar em rede essas reflexões, o que cada professor, cada professora, cada escola está fazendo, por exemplo, através de um site da secretaria de educação ou da própria escola.

“A professora, o professor, podem ter um papel mais decisivo na construção de um novo paradigma civilizatório se entenderem de outra forma o seu papel na sociedade do conhecimento e educarem para a humanidade. Eles e elas podem ter um poder como nunca tiveram na sociedade. E como o poder nunca é doado, mas é conquistado, as entidades de professores têm uma enorme responsabilidade nesse processo de nova formação inicial e continuada dos profissionais da educação” Gadotti, ibdem).

4 DESCRIÇÃO DOS REGUALEMENTOS METODOLÓGICOS

1. O Projeto Escrevendo Minhas Experiências – PEME é um projeto de investigação pedagógica e autocapacitação profissional que terá duração de quatro anos.
2. Todos os professores e diretores de escolas podem participar, desde que preencha a ficha de adesão junto da Secretaria Municipal de Educação no período de 09 a 30 de março.
3. A Secretaria Municipal de Educação oferecerá orientação e acompanhamento no processo de normalização do trabalho, inclusive curso de capacitação em metodologia cientifica a todos participantes inscritos no projeto.
4. A Secretaria Municipal de Educação investirá em acervo de livros que possam auxiliar como referenciais teóricos dos projetos a serem desenvolvidos.
5. Após a capacitação, o participante deve elaborar um Projeto de Autocapacitação Profissional – PROAP, contendo os conteúdos, objetivos e justificativas e encaminhar uma cópia à coordenação do projeto para o devido acompanhamento (veja modelo).
6. Com base no PROAP, o participante deverá elaborar também um Projeto de Estudo e Investigação Pedagógica – PEIP com justificativa, delimitação do tema, objetivos, referencial teórico, metodologia de pesquisa e análise de dados e encaminhar uma cópia à coordenação do projeto para o devido acompanhamento.
7. A culminância do PEIP será uma dissertação ou artigo que deve seguir todas as normas da ABNT e ter entre 09 e 12 páginas, incluindo a capa.
8. A Secretaria de Educação indicará uma equipe que fará a correção dos textos, seguindo todas as normas da ABNT e divulgará em sites, blogs e jornais todos os artigos produzidos pelos participantes.
9. Todos os artigos produzidos, após serem avaliados pela Equipe de Correção e pela Coordenação Pedagógica da Secretaria Educação, farão parte de um Memorial e os cinco melhores farão parte de um Memorial Especial, serão premiados e os autores farão palestras sobre o assunto que discorreram em seus artigos.
10. Para cada PEIP elaborado, executado e artigo produzido, o participante receberá um certificado como “Autor e Executor de Projeto de Investigação Pedagógica e Autocapacitação Profissional”, com carga horária entre 40 e 100 horas.
11. Ao final do PEME, todos os participantes deverão escrever sua própria biografia para composição de um “Memorial Autobiográfico dos Profissionais da Educação de Maracaçumé – MAPEMA para servir de retentiva aos futuros educadores.
12. Os principais critérios para escolha dos cinco melhores artigos serão os seguintes:
· Assunto inédito;
· A comprovação de realização da investigação e originalidade textual;
· Está de acordo com as normas da ABNT;
· Não conter erros, bem como ortografia, concordância, pontuação, coesão e coerência;

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